Acabou. Ou pelo menos a parte tranquila é. A Spirit Airlines não está mais voando. Mas suas peças são. Especificamente, os vinte e dois slots LaGuardia. Eles vão a leilão.
O espólio apresentou a questão no tribunal de falências na quinta-feira. 9 de julho. É quando o martelo bate. O vencedor leva tudo com base na oferta “mais alta e melhor”.
Você pode perguntar por que essas portas específicas são importantes.
Slots. Esse é o bilhete dourado. Em lugares como LaGuardia, a capacidade é controlada. Você não pode simplesmente aparecer. Você precisa de permissão para voar, de uma autorização que dite sua frequência, suas rotas e até mesmo seu direito de existir naquela pista.
A Spirit colocou um preço neles em abril. Quase US$ 87 milhões. Muitos zeros para o ar vazio.
Mas o dinheiro não é suficiente. O tribunal tem que assinar. O vencedor não pode assumir até que o juiz diga sim. E quando isso acontecer — provavelmente no outono — algum concorrente terá subitamente mais doze voos diários.
Doze voos.
Parece pequeno. Não é. Vinte e dois slots significam cerca de doze decolagens e pousos por dia. É um pedaço de imóvel de primeira linha em um céu que já está sufocado. A última vez que vimos uma transferência tão grande? 2023. Quando a Aliança American Airlines-JetBlue Northeast se desfez. Lembre-se desse drama. Esta é essa energia, mas sem a liderança romântica.
Quem está comprando?
Teoricamente. Todos.
A maioria das grandes transportadoras deu a entender que estão observando os destroços. O CEO da Frontier Airlines, James Dempsey, disse em maio que eles “analisariam os ativos que surgirem”. Ele usou a palavra disciplinado. Cuidado com essa palavra. Na banca e na aviação, disciplinado normalmente significa “queremos, mas fingimos que somos tímidos”.
A Frontier já está se mudando para Dallas, Detroit, Las Vegas. Eles estão com fome.
Depois, há a American Airlines. Robert Isom não mediu palavras em abril. Se os ativos subirem, a American será “agressiva”. Eles se autodenominam “na vanguarda”. Você pode ouvir o barulho das engrenagens daqui.
A lista de interessados é extensa. Allegiant, Breeze, Delta, JetBlue, Sudoeste, United. Todos eles estão atacando antigos mercados de Spirit. Por que LaGuardia é o grande final faz sentido.
O chefe da FAA, Bryan Bedford, supostamente quer que uma transportadora econômica os leve. Mantenha o fluxo de ingressos baratos.
Ninguém está levantando a mão ainda. Ninguém diz “Eu quero LGA”. Os executivos são sutis assim. Mas os grupos de apostas favorecem American, Frontier, JetBlue ou Southwest. Delta está fora, principalmente. Eles já possuem tantos LGA que comprá-los provocaria a ira antitruste.
O CEO da United, Scott Kirby, basicamente riu disso. Ele não vê sua empresa fazendo consolidação “no futuro próximo”. História legal.
Aqui está o curinga. Porter Airlines do Canadá.
Porter é minúsculo aqui. Mas eles têm um truque na manga. Eles conseguiram uma instalação de pré-autorização nos EUA em Toronto. Isso significa que os passageiros podem passar pela alfândega antes de deixar Toronto. A Porter poderia retirar seus voos para Nova York de Newark e estacioná-los no LaGuardia. De qualquer forma, eles são parceiros da American. É uma jogada elegante e lateral. Um azarão com um sapato muito específico.
O que acontece com o Terminal A?
O espaço físico é outra questão. O Spirit ficou preso no Terminal A. Terminal Aéreo Marítimo.
É antigo. Está marcado. Parece algo de Up. Foi a casa da Delta durante décadas, até que a Delta cresceu. Agora é só esperar que alguém entre.
A Autoridade Portuária, que administra o aeroporto, afirma que está seguindo o plano. Mesmo que o Espírito tenha desaparecido. Eles estão “atualizando dramaticamente” o saguão da década de 1980 anexo ao edifício histórico. Eles querem salvar o marco, mas modernizar a parte feia ao lado.
Porter Controla Terminal A. Seis portões.
Eles podem realocar esses portões se necessário. Ou não. O prédio não vai a lugar nenhum. As vagas, no entanto, estão em disputa.
Então os portões ficam. A história fica. Mas o direito de usá-los?
Isso foi para o licitante com lance mais alto. Ou será. Breve.
Slots não são apenas slots. Eles são alavancagem. E neste momento, a alavancagem é a única moeda que resta.
Quem piscará primeiro? Os grandes gigantes ou os novatos desconexos? Ninguém sabe ainda. A decisão do tribunal será no dia 9 de julho. Até então, o LaGuardia continua funcionando, com slots vazios zumbindo como fios adormecidos, esperando que alguém corajoso – ou tolo – o suficiente para apertar o botão.
